sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

BIOGRAFIA COMENTADA E NÃO AUTORIZADA PEDRO MARIANO

PARTE I

INTRODUÇÃO

No dia 18 de abril de 2009 publiquei essa “brincadeira” no primeiro “blog”, na realidade “fotoblog” que fiz em homenagem ao Pedro Mariano. Infelizmente, ou felizmente, o blog foi obrigado a mudar sua configuração para atender as novas tecnologias, e eu na ansiedade, não estava com vontade de esperar eles se ajustarem, mudei também, vim para o blogspot. E na mudança pela qual passou o blog ele perdeu algumas postagens, inclusive parte desse texto, que postei em vários posts. 
A idéia, na época, claro era dar continuidade a biografia, mas muitas coisas aconteceram, foi um período complicado na minha vida e adiei, e até hoje não conclui, promessa feita pra mim mesma, um dia eu realizo, material eu tenho. Mas, chega de explicações...Posto novamente o que postei a 5 anos atrás, com uma reedição, tenho agora mais informações após a leitura do livro “Solo César Camargo Mariano memórias”....Espero que quem nunca leu se divirta e conheça um pouquinho da história de Pedro Mariano antes de iniciar sua carreira.
Quero ainda fazer um pequeno comentário. Essa "biografia" é uma forma de homenagear aquele pelo qual tenho uma admiração como artista, como intérprete, que proporciona principalmente aos meus ouvidos algo indescritível, e que por conta disso, me fez querer conhecer um pouco quem é a pessoa por trás do artista, quem é o artista? Coisa difícil de se saber, já que nem mesmo nós nos conhecemos.


Segundo info Elis grávida de Pedro
Foi através da Internet, lendo ou vendo entrevistas, matérias, o blog dele, que comecei a juntar as informações e organizei tudo em uma ordem cronológica. Espero que ele compreenda essa "loucura". Essa biografia ainda tem muitos dados a serem agregados e, claro, parei no início da carreira (rs rs), torço para que a carreira dele dure muito... 
Infelizmente não terminei, resolvi parar quando cheguei no início da carreira profissional. Eu poderia esperar terminar e publicar tudo, mas como já publiquei uma vez, por ansiedade é por ansiedade que estou fazendo novamente e só essa parte dos zero aos 19 anos.


A CHEGADA AO MUNDO "TRAZENDO CONSIGO" O ESPETÁCULO FALSO BRILHANTE



“São Paulo, 18 de março de 1975 



Junior, seja bem-vindo! 

Traga mais sorrisos, como se fosse possível, ao boboca do seu pai. 

Esperamos que o nosso nenê seja uma menina e que dentro de alguns anos você e ela sacudam o Brasil como o fizeram o seu velho e cansado pai e a velha dela. 

Felicidades bichinho! 

Deus te guarde e te cubra de bons fluidos! 

Todo carinho e uma montanha de beijos dos seus amigos e irmãos 

César, Elis e João” 

(Transcrição da carta que Elis escreveu para, o então recém-nascido, Jair Rodrigues Melo de Oliveira)




Elis se enganou quanto ao sexo do nenê. Exato um mês depois de escrita essa carta, no dia 18 de abril de 1975 às 18h45, nasce no Hospital e Maternidade São Luiz, na Avenida Santo Amaro, 800, em São Paulo, um menino, o pequeno Pedro, que segundo informações, foi registrado como PEDRO CAMARGO MARIANO, mas o que importa mesmo, é que hoje ele é: PEDRO MARIANO 
O parto parece que foi tranquilo, com a presença do pai (coisa que não era tão comum para a época) e também é o que conta a Jornalista Mônica Figueiredo em seu depoimento para o livro de Regina Echelveria, “Furacão Elis”, diz a Jornalista: 

"Quando Elis ficou grávida do Pedro, a levei no doutor Cláudio Basbaum. Tinha lido uma matéria no Jornal da Tarde e Elis comprou o livro, traduziu...Já sabia tudo sobre o parto Leboyer quando foi ao médico. Depois do parto do Pedro ela voltou para o quarto sentada na maca, às gargalhadas" 
(Esse parto é uma técnica que chegou ao Brasil em 1974, no qual se tenta amenizar ao máximo o trauma do nascimento para o bebê)


O dia 18 de abril de 1975 caiu numa sexta-feira, véspera de feriado prolongado. Nos jornais do dia a previsão do tempo anunciava tempo bom, sem chuvas. Não deve ter chovido mesmo, pois no dia posterior a previsão era de “mais calor”. As manchetes no dia chamavam a atenção para a Ásia; o Camboja depois de 5 anos de luta interna muda de rumo, o partido comunista toma o poder. O Brasil discutia a lei do divórcio; e também se assustava com a epidemia de Encefalite e Meningite. Em São Paulo, esse era o segundo dia de trabalho do Prefeito Olavo Setúbal na sede da Prefeitura, que funcionava no Ibirapuera; Maria Bethânia fazia temporada de shows de terça a domingo no Tuca, com preços de ingresso de Cr$ 40,00 a Cr$ 50,00 (inteira) e o salário mínimo nessa época era de Cr$415,00 (bem parecido com a média de preço “aceitável” de shows de hoje e o salário mínimo). A novela Gabriela estava em seu 5º capítulo (era a “novela das 10”); no cinema: Aeroporto-75, 007 Contra O Homem com a Pistola de Ouro. No futebol: o São Paulo era o primeiro colocado no campeonato paulista e acabaria levando o título do ano. 

Com a Avó Ercy e o irmão João_Revista Veja
Em um programa na net (RaceTv), em 2009, o apresentador Carlos Lua (fã dos Beatles) disse ao Pedro que no mesmo dia 18 de abril de 75, John Lennon lançou na Inglaterra um compacto com a canção "Stand By Me". (Taí uma música que um dia ele poderia regravar). 

Pedro é o primeiro filho da união de Antônio César Camargo Mariano e Elis Regina Carvalho Costa. Por conta disso, Elis dizia que eles tinham dois primogênitos. Os dois já traziam outros filhos de relacionamentos anteriores; ele, o filho Marcelo Mariano, hoje músico, baixista de mão cheia; ela, o filho João Marcello Bôscoli, hoje também, músico, produtor e sócio na gravadora Trama.

Pedro chegou a casa na Rua califórnia em São Paulo carequinha e quando os cabelos resolveram crescer, ainda bebê, segundo sua avó materna, Dna. Ercy, cresceram encaracolados e aloirados. Tanto que ela o chamava de "Anjinho Barroco", e segundo o próprio Pedro, sua mãe o chamava de "Anjinho do Pau oco" (mas ele era só um bebê).

Muitos acreditam que uma criança, recém chegada em uma família, traz uma boa energia e muitas vezes é um sinal de mudança boa, e com Pedro não foi diferente. No livro "Solo César Camargo Mariano memórias”, ele conta que Pedro já havia nascido, era pequeno, quando Elis diz a ele, César, que gostaria de fazer um espetáculo, e o César capta a mensagem, pois ela não disse show...Nesse momento César movido por lembranças de quando era criança, dos grandes musicais, entende que nesse projeto a música seria uma arte entre tantas outras...e se empolga e os dois começam a trabalhar no que será sucesso de público e critica.

O espetáculo, Falso Brilhante estréia dia 17 de dezembro de 1975 e fica em cartaz, no Teatro Bandeirantes, de quarta a domingo até 18 de fevereiro de 1977, só não houve espetáculo, nas quartas feiras de cinza e nos Natais. E, pelo que entendi a temporada é encerrada porque Elis se descobriu grávida de Maria Rita e não poderia fazer certas cenas no palco.

Segundo César para realizar o sonho, de montar e executar o projeto, eles venderam tudo, ficando apenas com uma casa pré-fabricada, desenhada e projetada por ele na Serra da Cantareira e uma moto. E ele diz: 

“e, nos mudamos pra lá. O resto do dinheiro e mais uns empréstimos foram para o espetáculo. Nossos bens se reduziram então a uma casa e uma moto. Fazíamos tudo que era necessário em nosso cotidiano e com os filhos montados em uma moto: supermercado, colégio, médico, pediatra, ensaios...Elis ia na garupa, João sentava-se entre mim e ela, ficando bem protegido, e Pedro, como era bem pequeno, eu o colocava sentado no tanque de gasolina, com os pezinhos apoiados nos dois cabeçotes do motor; a alça da minha bolsa a tiracolo servia de cinto de segurança para o Pedro, que ficava colado em mim. Todos usando capacetes.” 




A casa pré-fabricada na Serra também era um sonho de Elis, em um vídeo de depoimentos sobre Elis, há um depoimento do João Marcello dizendo que assim que se descobriu grávida do Pedro, a mãe já pensou em se mudar para que seu filho não ficasse exposto à poluição da cidade. 
E foi assim que o clã se mudou para uma “casa no campo”. Existe um vídeo de Elis, grávida da Maria Rita, sendo entrevistada nessa casa, com Pedro e João ao fundo. O João estava sentado em uma pedra e o Pedro, querendo imitar o maninho, quase cai ao tentar subir também em uma, Elis percebe essa cena e durante a entrevista, fala sobre estar morando ali, naquele paraíso, e completa que o único perigo daquele lugar era o “Bofe” (no caso, o Pedro) cair da pedra e bater a cabeça.

CRESCENDO E DEMONSTRANDO PERSONALIDADE

Eles deviam adorar aquele espaço todo, no “meio do mato”. Mas, com a vida dos pais artistas que estavam sempre trabalhando, viajando, eles acabavam indo junto. Em outra entrevista, essa para o Jornal da Tarde, em 1980, na época da turnê do show “Saudades do Brasil”, Elis conta que andava muito preocupada com os filhos por conta do vai-e-vem, da impaciência das crianças em ficar muito tempo fora de casa. Contou que o César costumava dizer a eles –“Vamos brincar de que a gente não tem casa?” - E aí lembra de um diálogo que travou com o Pedro no Rio de Janeiro, quando fez uma temporada no Canecão; segue o diálogo: 

Face do Pedro Mariano
Pedro: O Rio é legal né, mãe? 
Elis: É sim, é legal! 

Pedro: Tem praia, né? 

Elis: Tem, tem sim! 

Pedro: Tem sol né, mãe? 

Elis: Tem sol sim! 

Pedro: Ôh mãe, mas não dá pra voltar lá pra casa onde mora o Bernardo? 

– Bernardo era o cão São Bernardo da casa da Cantareira. (O mocinho já estava treinando as argumentações)

Sendo filho desses grandes artistas de nossa música, Pedro cresceu ouvindo muita “Música”, e aprendendo com os pais o trabalho dedicado à profissão e o respeito à ela, além da oportunidade de presenciar na sala de sua casa outros mágicos da música. Com dois anos já despertou atenção para uma música que veio a ser sucesso. Isso é o que conta Renato Teixeira ao falar para a Revista Veja do seu grande sucesso “Romaria”, gravada por Elis. Teixeira disse: 
Parece que o culpado foi o Pedro Mariano, filho dela, que a toda hora pedia pra tocar a música “caipira pira porá

Perto dos seus dois anos e meio ele ganha uma irmãzinha; Maria Rita chega ao clã. Na casa da Cantareira, Pedro se torna o filho do meio, o filho sanduíche. 
Sua mãe, além de cantar (isso todo mundo sabe), adorava cozinhar e receber convidados (isso nem todos sabem). Sobre uma dessas ocasiões há um texto em Word, assinado por Silvio Lancelloti e que foi compartilhado entre alguns fãs, anos atrás. Eu fui atrás de confirmar a veracidade com Silvio Lancelloti, que me disse ser ele sim o autor do texto e a história ser “absolutamente verdadeira”. Trata-se de uma história deliciosa e engraçada que segue abaixo:


“POR SÍLVIO LANCELLOTI , DA COLUNA ´´COISAS QUE VIVI ``- REVISTA FLASH - 2003 


O coiote da Elis 



Finalzinho da década de 70, princípio da década de 80. Amigo de Elis Regina e César Camargo Mariano, que me chamavam, libertária e carinhosamente de Gordo, eu freqüentava, com a família toda, a sua casa – antes no Brooklin e depois na Serra da Cantareira. 




Elis adorava realizar lautas peixadas em honra aos meus pais, Helena e Eduardo, para ela a Nena e o Edu.. Enquanto César e eu produzíamos os aperitivos, os nossos filhos zoavam. E quantas e quantas vezes não tivemos que apartar as desavenças entre João Marcelo, pimpolho de Elis com o Ronaldo Bôscoli, e o meu primogênito Dado – ambos queriam ser o Batman, detestavam o papel de Robin na dupla dinâmica. 


Certa ocasião, na Cantareira, enquanto a minha Daniela brincava de Barbie com a Maria Rita da Elis e do César, percebemos todos que o Pedro, rebento do meio dos dois anfitriões mantinha-se isolado, acabrunhado num canto da varanda. João me informou com razão. Pedro adorava imitar os sons dos bichos em geral. Elis, de todo modo, o advertia de que os visitantes poderiam não gostar do barulhão. Pedro que se contivesse. Não resisti, me aproximei do garoto e disse: Pedro, você sabe uivar como um coiote? Instantaneamente, Pedro abriu um sorrisaço e passou a uivar. Magnificamente, aliás, para o constrangimento da Baixinha e para as gargalhadas dos restantes. Acabo de comprar o CD que César gravou com o Pedro, o espetacular Piano e Voz. Ah! Que cantor e que intérprete fenomenal, como a mamãe, aquele coiote sapeca enfim virou...``


(Não que eu desconfiasse da história, afinal, o que hoje ele faz com a voz, não é de se duvidar que imitasse bichos e bichos, é que sabe como é a Internet, né?! Não custava confirmar) 

É, esse dom transpirava pelos poros. Sua mãe foi a primeira a notar, segundo ele mesmo disse em uma entrevista para a rádio CBN em 2006. Ele relembra que deveria ter uns 3 anos, estava sentando na mesa (é “na mesa” mesmo, e não “à mesa”) e a mãe disse apontando pra ele: 
“Isso aqui canta que é um desassossego! Aprende as vezes as músicas até antes de mim mesmo"
E.T Vi um vídeo desse exato momento e ele já tinha uns 6 anos. 
Nessa mesma entrevista para a CBN, ele fala do irmão João Marcello, outro que via nele um intérprete em potencial. Quando ele ainda tinha apenas 5 ou 6 anos, o João (quase 5 anos mais velho) ligava os fones de ouvido na entrada de microfone e entregava pra ele que usava como microfone e cantava. Enquanto isso, o João gravava. E pasmem...eram músicas do grupo “Earth, Wind & Fire” e "Kool & The Gang". Com essa idade o inglês não deveria ser lá essas coisas, mas ele cantava, na base do embromation, mas cantava. Bem que essas fitas podiam existir, né? E ser compartilhada, claro! 

Fora isso, ele era uma criança normal. Em uma entrevista falando sobre a mãe (creio eu que foi para o Jô Soares em 2001), lembro de ele contar que uma vez ele e o João acenderam uma vela debaixo da cama, provocando um princípio de incêndio. Isso fez com que a mãe lhes desse uma bronca tão grande que nunca mais quiseram saber de vela.

(Tentei ver se encontrava essa história pela Internet contada com mais detalhes, por ele ou pelo João, mas não achei. No entanto, nessas buscas eu descobri que esse tipo de “brincadeira” é mais comum do que se possa pensar).

Aos seis anos ocorre a separação definitiva dos pais. Elis resolve se mudar, com os filhos, para um apartamento no Jardim Europa na Rua Melo Alves. 
Perto de completar 7 anos, ele perde a mãe, e o Brasil perde uma das maiores cantoras que o país já teve.

10 comentários:

Luziara Lavor disse...

Ow Neli, coisa mais linda!
Parabéns, ficou muito bacana.
Fiquei emocionada!
Cheiros sua doida que amo tanto.

Manu disse...

Adorei Neli!!!! <3
Bjks
Manu

Roseli Pedroso disse...

Neli parabéns por esse trabalho de pesquisa e escrita. Adorei conhecer coisas que ainda não sabia de nosso Pedro e me deliciei com essas fotos mostrando o menino que foi. Show!
Bjs

Neli SILVA TEIXEIRA disse...

Obrigada! Luzi doida pelo Pedro, né?!
bjs

Neli SILVA TEIXEIRA disse...

Que bom que curtiu!
bjs

Neli SILVA TEIXEIRA disse...

Pena que a adolescencia tá capenga! kkkk
bjs

Reca Silva disse...

Nossa que lindo Neli, juro que quando vejo o nome "não autorizado" me dá receio...Mas não foi este seu caso... Fez tudo na base da pesquisa, de forma coerente e comprovando fontes... Demais... Quero saber o resto :)

Parabénsssss

angélica Leal disse...

Neli...amei ...tudo o q aqui está descrito...engraçado vc foi a pioneira mas acredita que quando eu li as entrevistas tb tivbe a mesma idéia? foi nessas que eu te conheci pela Net.Tá lindo o blog...muita sensibilidade,verdade...amei a estória da vela ...e q ele adorava aqueles cantores americanos q meio q lembram assim o som de voz no ouvido kkk.Lindo mesmo ...parabéns!

Juliana Maira Andrade disse...

Nossa...
Genial que riqieza de informações. 😍😍😍😍

Parabéns Neli.
Bjs

Fabio Tomaz disse...

Olá! Saberia confirmar o endereço da casa da Serra da Cantareira? Agradeço a informação.